segunda-feira, 11 de outubro de 2010

O NATAL BUDISTA NO BRASIL



Elefante leva a imagem de Buda em procissão na Festa das Flores

Se fossem velinhas para apagar, elas seriam 2634. Ainda bem que ninguém vai ter que assoprá-las no lugar do aniversariante. Nesse caso, Buda. Em sua festa, não há bolo, brigadeiros ou refrigerantes. Mas os budistas, simpatizantes ou simples curiosos comemoram seu nascimento com flores e chá adocicado (feito à base de hortênsia). 

No Brasil, uma das mais tradicionais acontece todos os anos no bairro daLiberdade, em São Paulo. A 44ª edição da Hanamatsuri, ou Festa das Flores, será realizada de 5 a 10 de abril, na Praça da Liberdade. De segunda a sexta, o evento acontece das 10 às 16h, e no sábado das 10 às 13h.

Organizada pela Federação das Escolas Budistas do Brasil, a festa é religiosa egratuita. Os interessados em participar ganham o chá adocicado, importado do Japão. Apesar de doce, ele não leva açúcar. A organização da festa calcula que cerca de sete mil pessoas passem para tomar a bebida típica.

Divulgação

Crianças prontas para a procissão na Hanamatsuri, em São Paulo

Além do chá, uma revista de introdução ao budismo é distribuída gratuitamente aos visitantes. Não é obrigado, mas quem quiser pode fazer oferendas, destinadas a uma missão religiosa budista, no interior do Brasil. No sábado, 10 de abril, além do chá servido, uma procissão sai às 11h, da Praça da Liberdade, e percorre três ruas do bairro. O destaque da procissão é um grandeelefante branco carregando o pequeno Buda em um altar repleto de flores, simbolizando o jardim onde ele nasceu.

Crianças vestidas de quimono acompanham a imagem. Acredita-se, no budismo japonês, que quem homenageia o Buda na ocasião do seu aniversário ficaabençoado e tem seus pedidos atendidos.

Divulgação

Menina pronta para a procissão na Liberdade, em São Paulo

Outra cidade, quase a mesma festa
Em Curitiba, a Festa das Flores também já tem dia marcado. Ela será realizada nos dias 10 e 11 de abril, das 11 às 22h (no sábado, 10) e das 11 às 21h (no domingo, 11). O local da celebração será o Centro Cívico (Avenida Cândido de Abreu, em frente ao Palácio Iguaçu).

Assim como a festa em São Paulo, a Hanamatsuri curitibana também reverencia Buda, mas a programação não é apenas religiosa. Haverá, além da comemoração do nascimento de Buda, uma programação com apresentações culturais japonesas, incluindo grupos de dança, música e artes marciais.

Outra atração da festa na capital do Paraná é uma grande praça de alimentação, a partir das 12h, com comida típica japonesa, além de uma feirinha com venda de artesanato, destacando-se origami, arte em bambu, ideogramas, móbiles,mangá e bonecas.


História
Em São Paulo, a Hanamatsuri é celebrada desde 1966, na Liberdade. O elefante branco que carrega a imagem de Buda em cortejo teria aparecido num sonho darainha, mãe de Xaquiamuni, anunciando o nascimento de Buda. A imagem do elefante foi feita pelo escultor Olyntho Tahara, a pedido da Abrademi – Associação Brasileira de Desenhistas de Mangá e Ilustrações.

SXC

Templo budista na Tailândia

A Festa das Flores é uma forma de adeptos do budismo celebrar o Buda menino. Quem quer homenagear o Buda vai até o altar, chamado de Hanamidô, recolhe o chá adocicado em uma concha e derrama sobre a cabeça da imagem, repetindo esse gesto três vezes.


No mundo
Pelo mundo, o nascimento de Buda é celebrado em diversos países. No Japão, o mês quatro é dedicado à celebração, mas, dependendo do calendário lunar chinês, ele pode ser em abril ou maio. Portanto, dias 8 de abril e 8 de maio são reservados para a festa em muitos templos japoneses, apesar de não ser um feriado nacional. A festa se assemelha à realizada na Liberdade, em São Paulo. As pessoas tomam uma bebida preparada com hortênsia e jogam parte dela em estátuas de Buda decoradas com flores.

Na Índia, Buda é lembrado especialmente em Sikkim, Ladakh, Arunachal Pradesh, Bodh Gaya e Maharashtra, onde 6% da população são budistas. As pessoas vestem branco e é servida comida vegetariana. Entre as guloseimas típicas da festa indiana está o kheer, um mingau de arroz doce, servido para lembrar a história de Sujata, uma donzela que teria oferecido a Buda uma tigela de leite.

Na Coréia, lanternas são usadas para decorar os templos durante o mês da comemoração. No mesmo dia do aniversário, comida e chá são oferecidos gratuitamente para as pessoas que visitam os templos.

SXC

Estátuas de Buda em comemoração, na Coréia do Sul

Já no Nepal, o nascimento de Buda é reverenciado durante um mês inteiro. O dia é chamado de Buda Purnima e também celebra o dia do Iluminismo. Roupas brancas são usadas e comida não vegetariana é proibida.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Budismo zen tibetano e budismo no Brasil

Budismo zen tibetano e budismo no Brasil   O budismo é uma religião milenar, com crenças peculiares totalmente influenciadas pelas tradições. Difundida primeiramente na Ásia, ela exerce uma influência muito forte sobre as vidas dos seus fiéis.

Essa religião tem como princípios os ensinamentos do deus Buda, acreditando que o homem deve passar por várias experiências de sofrimento para encontrar a sabedoria. No Tibé, o budismo tem força na cultura e no modo de vida dos tibetanos, o grande nome da religião é Dalai Lama. Já o modo Zen dessa religião é adotado pelos japoneses.

O budismo também está presente em nosso país, já que foi trazido com o povo japonês e segue um ritmo menos tradicional do que nos países em que originou. Procure conhecer mais a respeito dessa religião, será um grande avanço nos seu conhecimento.
Buda
Muito conhecido pelas pequenas estátuas em que aparece de pernas cruzadas e barriga de fora (normalmente saliente), Buda se chamava Siddharta Gautama. 
Sentados em posição de meditação, olhos cerrados e mãos unidas em forma de círculo, um grupo entoa mantras em um ambiente de total tranqüilidade.
Talvez seja essa uma das imagens mais propagadas no Ocidente dos adeptos do budismo, uma religião que busca a iluminação, a libertação do sofrimento e do renascimento por meio da harmonia interior, com a natureza e com as outras pessoas. Essa proposta, tão simples quanto difícil de ser colocada em prática, há muito extrapolou os limites da Ásia.
Reuters 
Dalai Lama: popularidade no OcidenteO budismo nasceu na Índia, há cerca de 24 séculos, chegou à China e depois desembarcou no Japão, trazido pelos monges chineses para se tornar a segunda maior religião do país, atrás apenas do xintoísmo. Hoje, a religião criada pelo príncipe Sidarta, o primeiro Buda (que quer dizer desperto), está se tornando cada vez mais popular no Ocidente, incluindo o Brasil.
Figuras proeminentes do budismo, como o Dalai Lama, do Tibete, são conhecidos mundialmente e seus livros vendem milhões em todo o Planeta.
Atores como o americano Richard Gere realizam peregrinações pela Ásia e até Hollywood se rendeu à força impressionante de Buda e bancou as superproduções O Pequeno Buda, de Bernardo Bertolucci, com o astro Keanu Reves, e Sete anos no Tibete, com o galã Brad Pitt.
Na Europa e nos Estados Unidos, clínicas e centros de meditação vêm se multiplicando, recebendo um número cada vez maior de freqüentadores. No Brasil, o que antes era uma religião restrita aos japoneses e seus descendentes agora presencia a adesão de novos praticantes, a maioria não-descendentes de japoneses, em templos e escolas budistas.
Personalidades do mundo artístico brasileiro, como a apresentadora de TV Soninha, o cantor Ney Matogrosso e a atriz global Maitê Proença, também foram cativadas pelos ensinamentos e por esta filosofia de vida. Descubra, a seguir, os segredos de tanto sucesso.
Budistas FamososFotos AE
Maitê Proença, atriz
1209_budismo_ney.jpg
Ney Matogrosso, cantor
1209_budismo_gere.jpg
Richard Gere, ator
Fotos: André Peerazo
Sonia Francine, a Soninha, apresentadora de TV
Luiz Fernando Macian
Templo Zu Lai, da linha Ch’an, em Cotia (SP): budismo contra a violência
Budismo no BrasilO crescimento do budismo no Brasil, no entanto, não acontece somente entre os artistas e intelectuais. Representantes das principais linhas budistas presentes no país esperam uma expansão do budismo entre a população e estão se preparando para isso com a construção de novos templos e a formação de monges brasileiros. Diante desses esforços, cabe uma pergunta: por que o budismo vem conquistando a simpatia dos brasileiros a ponto de alguns considerá-lo a religião do futuro no país?
Para responder a essa questão, nada melhor que os depoimentos de alguns dos principais representantes das diferentes correntes budistas atuantes no Brasil. “A insegurança e o medo, acentuados depois do atentado de 11 de setembro em Nova York, provocaram uma forte busca pela paz. Muitas pessoas estão encontrando no budismo um refúgio contra a violência”, diz Chüeh Shi, reverenda do templo Zu Lai, da linha ch’an.
Para a monja Coen, uma das principais figuras do zen-budismo no Brasil, o interesse pelo budismo está aumentando em função da valorização da ecologia e dos direitos humanos. “O mundo está percebendo que o homem pode viver em harmonia com a natureza, em paz e sem discriminar uns aos outros”, afirma.
“O budismo está crescendo porque as pessoas estão percebendo o lado prático dessa religião que ajuda a superar o sofrimento humano”, comenta Getulino Nakajima, vice-presidente da Soka Gakkai no Brasil.